Pedrinho chegou em casa cantarolando alegremente. Sua mãe sorridente, o olhou limitando-se apenas em mandá-lo lavar-se para jantar
Lá fora enquanto se refrescava na bica, ele respirava profundamente. Podia-se sentir o cheirinho delicioso da comida de sua mãe. Comida simples, mas bem temperada.
Graças aos dotes culinários de Dona Cotinha, a mesa estava sempre farta. Pouca coisa se comprava no mercado. Felizmente para Pedrinho, seu pai estava fora no caseio do pescado. Assim ele podia usufruir de uma liberdade, digamos, um pouco mais elástica. Não havia uma cobrança tão efetiva quanto a seus atrasos.
Pedrinho distraído com seus devaneios, foi surpreendido pelo irmão.
- Onde você estava guri? -Perguntou Neco ensaiando seu papel de pai substituto na ausência do titular.
- Ai Neco! Que susto! -Reclamou Pedrinho. -Mania de chegar feito um fantasma sem fazer barulho.
- Desculpa. Não queria te assustar. È que depois do trabalho você sumiu e não disse pra onde ia. Fiquei preocupado.
- Mas eu avisei pra mãe que eu ia me encontrar com meus amigos lá no ranchinho. Ela não te falou?
- Não. Mas também não perguntei. É que já estava escurecendo e como você não apareceu,. fiquei meio cismado. Vai que você tava por ai metido em alguma encrenca.
- Mas não tava não. -Respondeu ele enxugando o rosto. -A gente tava combinando......-Pedrinho não teve tempo de completar a frase. Ritinha que estava atrás de uma árvore, escutou toda a conversa e foi logo destilando seu veneno.
- Se eu fosse você Neco, tratava de investigar direitinho as historinhas desse ai. To sabendo que ele e a ganguezinha dele foram flagrados roubando frutas lá na chácara do seu João.
- Isso é mentira. -Gritou Pedrinho. -A gente entrou no quintal dele sim, mas pra pedir e não pra roubar as goiabas. Pode ir lá perguntar pra ele Neco.
- Vamos parar com essa discussão, por favor. Dona Cotinha da janela da cozinha acompanhava a conversa dos filhos. Muito amorosa com todos, tratou de jogar água na fervura.
- Acabem logo com esse bla bla bla ai que comida ta esfriando.
Pedrinho olhou profundamente irritado para a irmã e pensou. “Vai ter troco maninha, Pode esperar”.
Ela deu um leve sorriso de satisfação por ter conseguido seu objetivo. Neco percebeu o sorriso sarcástico da ´rmã e questionou-se sobre a veracidade dos fatos relatados por ela. Preferiu deixar passar.
Passavam das oito horas da manhã de domingo e Pedrinho levantou-se rapidamente. Tomou seu
café, dirigíndo-se ao rancho para pegar as ferramentas. Sua mãe estava lavando a louça do café e acompanhou a movimentação do filho. Preocupada com os aprontos dele, foi logo perguntando! - O que você tá fazendo ai meu filho?
. -A senhora sabe onde ta a enxada e a pá? -Ele respondeu com outra pergunta.
- Onde você pensa que vai com as ferramentas de seu pai. Sabe como ele é com as coisas dele.
- Há mãe! -Exclamou Pedrinho meio contrariado.- Eu cuido. Só vamos fazer uma cabana pra brincar lá perto da casa do Zoião.
-Olha meu filho. Vê se não vai me arrumar mais confusão por ai. Teu pai já te prometeu uma surra se aparecer mais alguma reclamação sua aqui em casa. Ve se não se não fica por ai o dia todo. Você sabe como fico preocupada com seus sumiços. Ainda mais quando seu pai não está.
-Tudo bem mãe. Eu volto cedo. -Respondeu com um leve sorriso de satisfação em saber que, apesar de ser um tanto travesso, sua mãe se preocupava com ele.
Pedrinho então se apressou em ter com seus amigos no rancho de canoa. Local dos freqüentes encontros do grupo. Já estavam quase todos reunidos e, quem faltava? O Gordo é claro. Mas não tardou a chegar . Como sempre, munido de suas provisões alimentares.
- Não trouxe nenhuma ferramenta? -Perguntou Joca com ar de reprovação.
- Não. Eu falei pra minha mãe que ia na casa do Pedrinho estudar pra prova de terça-feira,. Fiquei com medo de falar a verdade. Ela podia não me deixar ir com vocês.
- Tudo bem. Pelo menos você não se atrasou tanto desta vez. – Continuou Joca.
-Vamos embora pessoal. To doido pra começar a cabana. -Farelo falou todo entusiasmado com a aventura.
Lá chegando, não perderam tempo. Arregaçaram as mangas e caíram no trabalho pesado.
A terra estava fofa e o calor não os incomodava muito. O céu estava encoberto por algumas nuvens negras e sobrava uma brisa refrescante naquele dia. Todos trabalhavam avidamente. Inclusive Gordo. Ele detestava esforço físico mas, empolgou-se ao ver à cabana tomando forma. E assim foi a semana seguinte. Depois da aula, todos se reuniam e iam para frente de trabalho. O empenho do grupo naquela semana foi recompensado.
Cansados e sujos de barro, ficaram abraçados contemplando a obra.
- Poxa! - Exclamou Gordo. -Até que ficou maneiro. A gente já pode se reunir aqui então né?
- Claro que sim. -Disse Joca acrescentando. -Inclusive podemos até dormir. Tem espaço de sobra pra todos. È só a gente trazer algumas cobertas velhas de casa e pronto.
- Acho que não é bem assim não Joca. -Pedrinho se manifestou. -Minha mãe jamais vai concordar com uma doideira destas.

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